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08/11/2018 15:49

Piloto sobreviveu comendo bolacha e tomando água de riacho

Avião pilotado por Maicon Esteves caiu em uma região de floresta no interior de MT no sábado (3)

  • Fonte: CÍNTIA BORGES/ midia news
Foto: Montagem/MidiaNews

O piloto Maicon Semencio Esteves, encontrado vivo quatro dias depois de sofrer um acidente na mata no interior do Estado, alimentou-se apenas de bolachas e se hidratou com água de um riacho durante o período em que ficou à espera de socorro.

As informações foram repassadas pelo tenente Rodrigo Fonseca, do Corpo de Bombeiros Militar, que comandou as buscas pelo piloto.

Maicon, de 27 anos, foi encontrado ao lado de um riacho no início da tarde desta quarta-feira (7), em uma região de floresta, em Peixoto de Azevedo (a 696 km de Cuiabá).

Segundo a Polícia Militar, ele foi localizado a cerca de 2,2 km do local onde caiu o avião que pilotava, no sábado (3).

“Depois de caminhar por muito tempo, o piloto parou nesse local e ficou bebendo água. Durante os quatro dias, ele bebeu água, mas estava muito debilitado pelas queimaduras, pelos arranhões causados por espinhos na mata e por machucados no pé de tanto caminhar. [...] Ele comeu somente as bolachas que tinha consigo durante todo esse tempo”, diz o relato do tenente.

Conforme o tenente, após a queda, a aeronave começou a pegar fogo e o piloto saiu de seu interior. Mesmo assim, rosto, mãos e braços ficaram queimados. 

“Usando o [navegador do] celular, ele viu a estrada que estava perto, mas a bússola indicava um caminho reto pela floresta. Quando tentou caminhar pela floresta, encontrou dificuldade [...]. Nessas voltas ele se perdeu, não encontrou a estrada e andou muito mais do que esperava andar”, disse. 

Com queimaduras e ferido pelos galhos e espinhos da mata, o piloto ainda foi atacado por insetos. Para proteger o rosto de espinhos e outras agressões externas, ele ficou a todo momento com o capacete.

“Isso dificultou a percepção dos fogos e dos chamados que foram feitos durante toda a terça-feira, o dia em que os bombeiros mais fizeram buscas e que ficaram mais tempo na mata. Quando encontraram o piloto, cansado sem condições de caminhar mais, devido aos ferimentos, ele tinha feridas abertas e insetos causando mais ferimentos na pele”.

As buscas

No domingo (4), um dia após a queda, os trabalhadores da propriedade rural que viram a aeronave cair comunicaram o caso à Polícia Militar. Apenas na segunda-feira (5), o Corpo de Bombeiros foi acionado e encaminhou três militares ao local.

“Na terça-feira (6) de manhã, os bombeiros retomaram as buscas, caminharam entre 4 km e 5 km em linha reta na mata fechada, mas no total isso significa uma distância muito maior. Durante toda terça-feira, os bombeiros ficaram dentro da floresta, não saíram, não foram vistos pelos policiais militares nem pelas pessoas das fazendas. Gritaram e soltaram fogos na esperança de que o piloto respondesse”, relatou o tenente.

Já na quarta-feira, quatro dias depois do acidente, mais homens chegaram ao local com um cão farejador para auxiliar nas buscas. 

Aliado a isso, os bombeiros coordenaram um grupo de 30 trabalhadores da fazenda São João – propriedade próxima ao local. O gerente da fazenda destacou os homens, munidos de facões, para o apoio aos bombeiros. 

“Com esse reforço, o CBM coordenou uma linha de busca, o pente fino, assim encontraram o piloto próximo a um córrego”. 

Durante as buscas, os bombeiros relataram que se feriram com espinhos, tiveram urtigas, ficaram com carrapatos presos à pele e até avistaram um grupo de queixadas (porcos do mato) agressivo. 

O piloto foi transportado em uma maca improvisada e levado em uma caminhonete para uma unidade hospitalar no distrito de União do Norte. Lá, uma unidade de resgate do município de Peixoto de Azevedo fez os primeiros socorros nos ferimentos e aplicou soro.

Maicon está agora em no Hospital Regional de Peixoto de Azevedo, com quadro de saúde estável.

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