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01/08/2018 15:55

PMs tinham interesse comercial em sistema de interceptação, diz Cabo Gerson - veja vídeos

  • Fonte: GAZETA DIGITAL
Foto: Reprodução

O cabo da Polícia Militar e réu na ação penal referente ao esquema de interceptações telefônicas ilegais, Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior, revelou que tinha interesse comercial no sistema de escuta denominado Sentinela, que foi criado pelo empresário do ramo de telecomunicações José Marilson da Silva e pelo cabo PM Euclides Luiz Torezan, que também viam oportunidade de obter lucro no negócio.

Em depoimento prestado ação penal que tramita na 11ª Vara Criminal Militar contra 5 policiais, o cabo Gerson relatou que em novembro de 2014, quando as escutas clandestinas já estavam ocorrendo por meio de “barriga de aluguel” na investigação contra policiais corruptos, a placa de interceptação da marca Wytron queimou e o militar foi em busca de alternativa para dar continuidade aos trabalhos. “A deficiência no sistema Wytron possibilitou o interesse comercial desses dois rapazes, que vieram conversar comigo”, disse Gerson.

Foi quando o empresário Marilson, que já havia prestado suporte na instalação do escritório no edifício Master Center, no centro de Cuiabá, disse que tinha um projeto de software de interceptação e que tinha interesse em apresentá-lo à Polícia Militar para comercializá-lo. Gerson combinou de apresentar a ideia ao coronel e então comandante-geral da PM, Zaqueu Barbosa. Este teria se interessado e dito ao subordinado que verificaria junto ao advogado e então coordenador de campanha de Pedro Taques, Paulo Taques, a viabilidade financeira, já que era ele quem estava bancando a central de escutas.

Mas antes disso, o cabo destaca que Marilson já havia oferecido o mesmo serviço para o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), em uma apresentação feita ao núcleo militar.

Em 2 meses, já no início de 2015, a 1ª versão do sistema Sentinela já estava totalmente pronta e foi paga com dinheiro entregue em mãos por Paulo Taques ao cabo, em um encontro na Estrada de Chapada, no final do dia, quando Taques havia acabado de deixar o Palácio Paiaguás, pois a essa altura já era secretário-chefe da Casa Civil, segundo o réu.

“O custeio inicial foi o restante do que sobrou dos R$ 50 mil, mas teve outros gastos. Esses outros gastos ficou para o segundo semestre de 2015, em torno de R$ 34 mil. Esses R$ 34 mil que o senhor Marilson mentiu em juízo dizendo que eu tenho dívida com ele. Eu fiz a transferência da minha conta pra dele”, afirmou Gerson Corrêa. Segundo ele, os R$ 34 mil pagos posteriormente foram referentes a uma 2ª versão do programa, oferecida pelo empresário José Marilson.

No início, o cabo afirma que por precaução, usava os sistemas Sentinela e Wytron simultaneamente, uma vez que havia conseguido consertar a placa que havia queimado. Com o passar de tempo, ao perceber que o Sentinela era muito superior ao Wytron, Gerson percebeu que era possível realizar as escutas de forma remota e decidiu fechar o escritório de interceptação, que funcionava no centro de Cuiabá, o que ocorreu em julho de 2015.                   

Com a mudança na rotina de trabalho, o cabo Gerson, o sargento Andréia e o cabo Dorileo, que também atuavam nas escutas de policiais suspeitos de corrupção, passaram a trabalhar de casa e seus locais ordinários de trabalho, usando o Sentinela em seus computadores pessoais. “Em julho de 2015, com o apoio do Torezan, nós instalamos o Sentinela nos computadores pessoais da sargento Andréia e do cabo Dorileo pela facilidade do sistema Sentinela e precariedade do sistema a Wytron”, afirmou o policial.

Conforme Gerson Corrêa, durante o período de criação e adaptação do Sentinela foi que o cabo Torezan criou um grupo de WhatsApp com outros policiais para debater sobre o software e buscar aprimorá-lo. Gerson nega que os demais membros do grupo, além dele, soubessem do uso ilegal que estava sendo feito com o programa.

Também afirma que para pagar sua parte no negócio envolvendo o Sentinela, utilizou um cheque de R$ 24 mil que conseguiu junto ao coronel Evandro Lesco. Segundo ele, ao pedir o dinheiro para o superior, afirmou que seria para melhorias no sistema de interceptação, não dando a entender que seria um empréstimo e que teria fins lucrativos. Questionado pelo juiz se devolveu o valor para o coronel, Gerson afirmou que nunca o pagou e nunca vai pagar.

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