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05/07/2018 15:57

Polícia Federal encontra R$ 95 mil no apartamento de assessor do deputado federal Nelson Marquezelli

Assessor Jonas Antunes foi preso na nova fase da Operação Registro Espúrio. No gabinete do deputado, também alvo da operação, PF encontrou R$ 5 mil em espécie.

  • Fonte: G1
Foto: Reprodução

A Polícia Federal encontrou nesta quinta-feira (5), durante buscas e apreensões da terceira fase da Operação Registro Espúrio, R$ 95 mil reais em espécie no apartamento de um assessor do deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP).

O assessor, Jonas Antunes Lima, foi preso na operação desta quinta. Policiais também fizeram buscas e apreensões no gabinete de Marquezelli na Câmara. Lá, encontraram R$ 5 mil em espécie. O deputado disse que é um dinheiro para usar em viagens que faz ao interior de São Paulo.

A Registro Espúrio investiga uma suposta organização criminosa, integrada por políticos e servidores, que teria cometido fraudes na concessão de registros de sindicatos pelo ministério.

Os mandados da operação desta quinta foram autorizadas pelo ministro Édson Fachin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. A pedido da PF, ele autorizou o afastamento do ministro do Trabalho, Helton Yomura, também alvo da operação.

Marquezelli estava no gabinete dele na Câmara na hora em que os policiais federais chegaram para fazer as buscas, por volta de 6h30. À imprensa, o deputado disse que não tem "nada a temer".

"Vamos esperar a investigação. A gente sabe perfeitamente que esse é um trabalho que deve ser feito e esclarecido para a população. Nada a temer", afirmou.

Questionado sobre a prisão de seu assessor, Marquezelli disse que Jonas poderá dar informações úteis à polícia.

"Ele trabalhou no marco regulatório [do setor de transportes] por dois anos, teve muito contato com sindicatos, associações, cooperativas, então ele conhece. Ele pode dar informações que serão úteis no caminho da investigação. Espero que ele faça isso, forneça informações para que as investigações prossigam", afirmou o deputado.

Marquezelli disse ainda que não queria que o PTB tivesse assumido o Ministério do Trabalho. O partido fez todas as indicações para a pasta desde 2016, quando o presidente Michel Temer assumiu o governo. Segundo o parlamentar, a evolução do número de sindicatos no Brasil não aconteceu "de graça".

"Nós sabemos aqui, os bastidores sabem, que essa evolução do número de sindicatos do país, quase 18 mil sindicatos, não é de graça. Essas evoluções. Foi um forçamento de barra para ter sindicato de tudo que é jeito. Eu sempre fui contra essa proliferação de sindicatos e é uma das razões que eu fui contra o PTB ir para o Ministério do Trabalho", afirmou.

Em nota, a defesa de Yomura afirmou que o ministro não cometeu nenhum ato ilícito e que "nega veementemente qualquer imputação de crime ou irregularidade". 

Terceira fase da Registro Espúrio

Ao todo, a PF foi às ruas para cumprir dez mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária em Brasília e Rio de Janeiro.

Segundo a polícia, as investigações e o material coletado nas primeiras fases da Operação Registro Espúrio indicam que cargos da estrutura do Ministério do Trabalho foram preenchidos com pessoas comprometidas com os interesses do suposto grupo criminoso, permitindo a manutenção das ações ilícitas.

Para a polícia, Yomura é um "testa de ferro" de caciques do PTB, partido que indicou os ministros do Trabalho no governo Michel Temer.

A PF afirmou que o papel de Yomura era "viabilizar a ingerência" da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) na pasta, e "dar continuidade aos desmandos" do presidente do PTB, Roberto Jefferson, no ministério. A deputada também foi alvo da Registro Espúrio, na segunda fase da operação.

Jefferson é pai de Cristiane. Ela chegou a ser escolhida pelo presidente Michel Temer para assumir o Ministério do Trabalho em janeiro deste ano, mas foi impedida por decisões judiciais.

Em nota, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, afirmou que não participou de nenhum esquema no Ministério do Trabalho, que apoia as investigações da Operação Registro Espúrio e que o partido coloca o ministério à disposição do governo Michel Temer

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