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14/02/2018 09:37

Secretária de Saúde pondera que forma de atendimento a detentos deve ser reavaliada após tiroteio na UPA

Foto: Reprodução

A secretária municipal de Saúde, Elizeth Lúcia Araújo, disse que a forma de atendimento a reeducandos deve ser reavaliada junto ao Governo do Estado. Os feridos, incluindo um bebê de seis meses, estavam na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Morada do Ouro, quando o local foi invadido por criminosos que tentavam resgatar um detento em atendimento médico. 


“É uma situação delicada. Não podemos deixar de assistir os detentos, mas isso não pode oferecer risco a segurança da população. Então, com toda certeza, vamos nos reunir com o Estado para tentar encontrar uma maneira de fazer esse atendimento sem  que haja prejuízos desse tipo”, disse ao Olhar Direto.

De acordo com ela, já havia um diálogo com a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) em relação ao fluxo essencial do reeducando, para que fossem criados protocolos que assegurem seu atendimento, independente do crime que tenham cometido. "Por outro lado, temos a obrigação de assegurar a segurança para os nossos trabalhadores e para a sociedade, usuários do SUS que vão buscar o atendimento na unidade e que se sentem inseguros em terem ali um reeducando."

Elizeth reforça que a situação registrada ontem deixa claro que não dá mais para tratar todo mundo junto, no mesmo espaço. "Não temos como criar uma estrutura separada só para atendimento aos reeducandos, por isso precisamos urgentemente fechar os protocolos de segurança que já estamos discutindo e colocá-los em prática para dar segurança aos profissionais e à população. Essa, infelizmente, é uma situação que além de ter atingido fisicamente cinco pessoas, atingiu psicologicamente os nossos servidores da UPA, que ficaram extremamente abalados”, comentou a secretária.

Ela reforçou ainda que a segurança da UPA é feita por policiais militares que trabalham em jornada voluntária, por meio de convênio com a Prefeitura. No programa o policial militar, durante o período da sua folga, trabalha de forma remunerada pela SMS. "Precisamos ampliar este serviço ainda para os Centros Odontológicos, que funcionam 12 horas e Policlínicas, que funcionam 24 horas.”

De acordo com Elizeth, no momento os cinco feridos (a criança, um policial, a enfermeira e dois pacientes) são avaliados pela equipe de médicos do PSMC e não correm risco de morte. O caso do bebê, contudo, é o que mais preocupa os profissionais. Dois dos atingidos deverão passar por procedimento cirúrgico.

“Para evitar qualquer situação de constrangimento para o reeducando e de insegurança para a população vamos realizar essa semana reuniões para estabelecer esse local de atendimento com protocolo de segurança", finalizou

O ataque

Criminosos armados invadiram a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Morada do Ouro, em Cuiabá e trocaram tiros com agentes prisionais que estavam no local. O preso estaria sendo atendido quando houve uma tentativa de resgate na unidade de saúde.

Um paciente, que estava dentro da UPA Morada do Ouro no momento do ocorrido, relatou à reportagem que "o detento chegou na viatura, desceu e foi para a sala de classificação. Após isto, os deliquentes entraram atirando em todo mundo. Eu corri debaixo da cadeira para me livrar. Eu vi eles pegarem a mulher pela garganta e usarem ela de escudo, era escudo". 

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) informou ao Olhar Direto que o gestor da pasta, Gustavo Garcia, não irá se pronunciar sobre o caso neste momento.

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