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15/07/2017 13:14

Pelo Facebook, jovem de MT relata estupros cometidos pelo pai

Vítima revelou na rede social os oito anos de abuso sofridos dentro de sua própria casa, no Araguaia

  • Fonte: Midía News

Uma jovem de 19 anos usou seu perfil no Facebook para denunciar os anos em que foi abusada sexualmente pelo seu próprio pai, no Município de Pontal do Araguaia (524 km da Capital).

 

O caso já era investigado pela Delegacia da Mulher de Barra do Garças, Município vizinho, mas só ganhou repercussão nesta semana, após a postagem em que ela relatou os oito anos de abusos.

 

O inquérito tramita em segredo por determinação do Juizado da Infância e Juventude. 

 

A publicação tinha, até a tarde desta sexta-feira (14), 10.850 compartilhamentos, além de muitas mensagens de incentivo para a vítima.

“Estou fazendo um trabalho de conclusão de curso sobre abuso infantil, uma luta que somente quem vive sabe como é, gostaria de conversar com você”, escreveu uma internauta.

 

A jovem conta que os assédios começaram quando ela tinha por volta de sete anos, ao morar com os pais pela primeira vez após passar parte da infância com a avó.

 

“Quando eu era criança eu costumava chorar todos os dias. Porque todos os dias eu sentia falta do meu pai. Minha avó me disse que se eu orasse todos os dias pedindo que meu pai me levasse pra morar com ele, Deus ouviria e eu não choraria mais. Orei. Orei muito. Até que aconteceu. E eu estava tão feliz por ter minha mãe e meu pai por perto todos os dias! Mas um dia aquela felicidade se transformou em um inferno de dor que até hoje eu vivo”, escreveu a jovem, cujo nome não será revelado.

 

Segundo o relato, o pai passou a se deitar na cama com a vítima, dizendo que iriam “brincar”. Ela, uma criança na época, tentava resistir aos assédios. “Fechei meus olhos enquanto ele acariciava meu corpo. Eu disse que não queria. Mas homens não entendem que não é não”, conta. Após o estupro, o homem ainda chegava a dar dinheiro ou a liberava para brincar, como tentativa de comprar seu silêncio. Ela se trancava no banheiro e chorava.

 

Aos 12, tentou contar a situação para a mãe, que chegou a relatar o fato para toda a família, mas não lhe deu credibilidade.

 

“Eu contei pra minha mãe com onze ou doze anos de idade. Eu pensei que ela iria separar dele. Mas não. Ela contou pra minha família e ninguém nunca fez nada. Todos ignoraram a minha dor como se eu fosse nada. E continuou. Todos os dias na hora do almoço, ele me levava para dentro do quarto, trancava a porta, me deitava e eu tapava os olhos e chorava ali mesmo. Ele roubou minha infância e minha adolescência. Ele roubou minha inocência e matou minha alma todos os dias, pouco a pouco. Eu me sentia a todo tempo triste, deprimida, assustada, desesperada. Eu me sentia impura, suja, inferior as outras meninas”, lamenta.

 

Em outro trecho, ela revela que aos 15 tomou forças para enfrentar o pai. “Ele me levou pro quarto à força e eu disse que se ele tocasse em mim eu iria denunciar ele. Ele me agarrou pelo braço e me jogou no chão pra fora do quarto e me chamou de ingrata. Nesse dia eu me tranquei no banheiro e chorei desesperada sentada no chão com medo de que algo acontecesse com meus irmãos e minha mãe. Pois ele sempre se tornava agressivo com todos quando eu demonstrava ter força e coragem para contar a todos”.

 

A jovem começou então a desenvolver um quadro depressivo, chegando a perder 10 kg em apenas um mês. Depois de ouvir da mãe que era “assim porque queria”, em outubro de 2016 ela tentou o suicídio.

 

“Tomei trinta comprimidos de Rivotril [medicamento para ansiedade que causa sono]. Me levaram para o hospital e os médicos decidiram me internar em um manicômio! Fiquei internada por quatro dias. Fui encaminhada para o Caps (onde pessoas com sérios problemas psíquicos fazem tratamento) e comecei a ser medicada. Mas parei com os medicamentos e em abril tentei suícidio de novo. Comprei lâminas e cortei meus pulsos. Mas acordei no hospital com o médico dando pontos nos cortes. Estava tão desesperada que gritei por ajuda naquele hospital e ninguém mais uma vez fez nada”.

 

Com as informações, o delegado Heródoto Fontenelle abriu um inquérito. Ele, no entanto, limitou-se a dizer que a investigação está em andamento e que mais informações não podem ser repassadas em razão do sigilo imposto pela Justiça.

 

“Não se calem”

 

A vítima, que não mora mais com a família e vive em outra cidade, ainda traz no final da publicação uma mensagem de encorajamento a todas as mulheres que passaram por abusos.

 

“Embora eu saiba que muitas vivem isso, eu não quero. E eu escrevi esse texto para tentar ajudar de algum jeito as vítimas de abuso, que vivem o que vivi por sete ou oito anos da minha vida. Você é forte menina! Você é muito forte então se levante e não se esconda. É o seu corpo e é você quem decide quem o toca. Se ninguém te ajuda, ajude a si mesma. Você é linda e é digna de amor”, aconselha.

 

 

 

 

 

 

 

 

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